
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, anualmente, 50 a 100 milhões de pessoas sejam infectadas com dengue, o que a torna um dos principais problemas de saúde pública no mundo. No Brasil, a situação merece atenção especial, uma vez que as condições sociais e ambientais favorecem a proliferação do Aedes aegypti, o mosquito transmissor da doença.
A transmissão da doença ocorre porque, ao picar uma pessoa doente, o mosquito infecta-se com o vírus da dengue e assim permanece para o resto de sua vida. Ao alimentar-se novamente com o sangue de uma pessoa sadia, o inseto injeta com sua saliva o vírus da doença.
Segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS), de janeiro a novembro de 2008 (semana epidemiológica 48), foram registrados 787.726 casos suspeitos de dengue, sendo 4.137 casos confirmados de Febre Hemorrágica da Dengue (FHD), com 223 óbitos. Também foram confirmados 17.477 casos de dengue com complicação (DCC – quando não se enquadra nos sintomas clássicos), com 225 óbitos.
Estes números revelam a importância de medidas de profilaxia do mosquito da dengue, que se reproduz rapidamente em países tropicais – úmidos e quentes – e em qualquer local com água limpa armazenada. Dessa forma, qualquer lugar pode se tornar um criadouro do mosquito: caixas d"'água, barris, tambores, vidros, potes, pratos e vasos de plantas ou flores, tanques, cisternas, garrafas, latas, pneus, panelas, calhas de telhados, bandejas, bacias, drenos de escoamento, canaletas, blocos de cimento, urnas de cemitério, folhas de plantas, tocos e bambus, buracos de árvores e muitos outros locais onde a água da chuva é coletada ou represada.
Essa facilidade de proliferação dificulta o controle da doença. Porém, a conscientização da população sobre a necessidade de se adotar medidas simples, porém efetivas, é a melhor forma para evitar a disseminação do mosquito e o aumento do número de casos de dengue. Ações por parte do Governo, como a aplicação de inseticidas por meio de carro-fumacê ou nebulização, são importantes, mas não suficientes. A comunidade deve cooperar com uma mudança de atitude.
Entre as medidas que podem – e devem – ser adotadas para o controle do mosquito e disseminação da dengue no Brasil, estão aquelas para evitar a picada do mosquito e cuidados com locais que podem virar criadouros.
Para evitar picadas
1) Uso de espirais ou vaporizadores elétricos, que devem ser colocados ao amanhecer e no final da tarde, antes do pôr-do-sol, que são os horários que os mosquitos da dengue mais picam.
2) Colocação de mosquiteiros, principalmente nas casas com crianças, cobrindo as camas e outras áreas de repouso, tanto durante o dia quanto à noite.
3) Aplicação de repelentes no corpo, lembrando que crianças pequenas e idosos têm maior sensibilidade na pele e podem desenvolver algum tipo de alergia.
4) Colocar telas em portas e janelas contra a entrada de mosquitos nas casas.
Cuidados em locais de reprodução
1) Tampar os grandes recipientes de água - caixas d"'água, tanques, tinas e poços – o que impedirá a entrada dos mosquitos e o depósito de ovos.
2) Remover lixo e detritos ao redor das casas, que podem acumular água de chuva. Os moradores devem solicitar a retirada pelo serviço de limpeza pública.
3) Limpar os recipientes de água: não basta apenas trocar a água do vaso da planta ou usar um produto para esterilizá-la. É preciso lavar as laterais e as bordas do recipiente com bucha, pois nesses locais os ovos eclodem e se transformam em larvas.
4) Em alguns municípios, as secretarias municipais de saúde fazem aplicação de larvicidas nos recipientes que servem de depósito de água. Basta entrar em contato com as autoridades locais para saber se o serviço está disponível e como solicitá-lo.
Além de todas as medidas citadas anteriormente, também é importante reconhecer o mosquito da dengue. O Aedes é bem parecido com o pernilongo comum, mas tem algumas características específicas, como o corpo escuro e rajado de branco e o hábito de picar durante o dia – do amanhecer até o início do pôr-do-sol.
Em caso de suspeita de infestação pelo mosquito da dengue, a população deve entrar em contato com os órgãos competentes – Ministério da Saúde e Secretarias de Saúde ligadas a qualquer esfera governamental –, que poderão confirmar a existência ou não do foco do mosquito e adotar as medidas necessárias de controle químico.